Letras

sábado, 8 de novembro de 2014

Don dinero

Letra: Francisco de Quevedo (séc. XVI-XVII)
Música: Paco Ibáñez


Madre, yo al oro me humillo;
él es mi amante y mi amado,
pues de puro enamorado,
de continuo anda amarillo;
que pues doblón o sencillo,
hace todo cuanto quiero,
poderoso caballero
don, don, dododon, din, don
es don dinero.

Nace en las Indias honrado,
donde el mundo le acompaña,
viene a morir en España
y es en Génova enterrado;
y pues quien le trae al lado
es hermoso, aunque sea fiero,
poderoso caballero
don, don, dododon, din, don
es don dinero.

Es galán, y es como un oro:
tiene quebrado el color;
persona de gran valor,
tan cristiano como moro;
pues que da y quita el decoro
y quebranta cualquier fuero,
poderoso caballero
don, don, dododon, din, don
es don dinero.

Son sus padres principales,
y es de nobles descendiente,
porque en las venas de Oriente
todas las sangres son reales;
y pues es quien hace iguales
al duque y al ganadero,
poderoso caballero
don, don, dododon, din, don
es don dinero.

Por importar en los tratos
y dar tan buenos consejos
en las casas de los viejos
gatos le guardan de gatos;
y pues rompe el recatos
y ablanda al juez más severo,
poderoso caballero
don, don, dododon, din, don
es don dinero.

Nunca vi damas ingratas
a su gusto y afición,
que a las caras de un doblón
hacen sus caras baratas;
y, pues hace las bravatas
desde su bolsa de cuero,
poderoso caballero
don, don, dododon, din, don
es don dinero.

Dá-me uma gotinha de água

Música tradicional alentejana. Existem muitas variações destas quadras e vamos cantando com o que o nosso amigo Daniel Vieira se for lembrando.

Dá-me uma gotinha d'água
Dessa que eu oiço correr
Entre pedras e pedrinhas [bis]
Alguma gota há-de haver

Alguma gota há-de haver
Quero molhar a garganta
Quero cantar como a rola [bis]
Como a rola ninguém canta

Como a rola ninguém canta
Acredita, podes crer
Dá-me uma pinguinha d'água [bis]
Dessa que eu oiço correr

Chanson des prisons

Poema de Louise Michel (1971)

Quand la foule, aujourd’hui muette,
Comme l’Océan grondera,
Qu’à mourir elle sera prête,
La Commune se lèvera.

Nous reviendrons, foule sans nombre,
Nous viendrons par tous les chemins,
Spectres vengeurs sortant de l’ombre,
Nous viendrons nous serrant les mains.

La mort portera la bannière.
Le drapeau noir, crêpe de sang,
Et pourpre, fleurira la terre
Libre sous le ciel flamboyant.

Bella ciao

Canção popular italiana. Inicialmente um canto de trabalho de mondadeiras no século XIX, transformou-se numa canção de resistência durante o século XX.

Una mattina mi son svegliato,
o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
Una mattina mi son svegliato,
e ho trovato l'invasor.
O partigiano, portami via,
o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
O partigiano, portami via,
ché mi sento di morir.
E se io muoio da partigiano,
o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
E se io muoio da partigiano,
tu mi devi seppellir.
E seppellire lassù in montagna,
o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
E seppellire lassù in montagna,
sotto l'ombra di un bel fior.
E le genti che passeranno,
o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
E le genti che passeranno,
Mi diranno «Che bel fior!»
«È questo il fiore del partigiano»,
o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
«È questo il fiore del partigiano,
morto per la libertà!»

Uma versão italiana.

Águas paradas não movem moinhos

Letra: José Mário Branco a partir de Bertold Brecht
Música: José Mário Branco para o espectáculo A Mãe de A Comuna-Teatro de Pesquisa (1978)


Se te falta a sopa para o prato
Se te falta a sopa para o prato
Como é que pensas comer?
Como é que pensas comer
Se te falta a sopa para o prato

Esta vida eu a renego
Vou virar o bico ao prego
Debaixo da minha fome
É o Estado que se encobre
Pr'á sopa do meu menino
Águas paradas
não movem moinhos

Se o patrão não te dá trabalho
Se o patrão não te dá trabalho
Onde é que está o salário?
Onde é que está o salário
Se o patrão não te dá trabalho?

Pr'acabar com'o desemprego
Vou virar o bico ao prego
Andamos pr'aqui aflitos
Porque o governo é dos ricos
Põe a miséria a render
Águas paradas
não movem moinhos

Os fortes riem dos fracos
Os fortes riem dos fracos
O que é que vais responder?
O que é que vais responder
Se os fortes riem dos fracos

Na unidade é qu'eu pego
Pr'a virar o bico ao prego
Milhões de trabalhadores
São a força que tu fores
Anda pr'á luta comigo
Águas paradas não
movem moinhos

E hoje?

Letra: Coro da Achada / Música: João Caldas e Pedro Rodrigues

privatiza, rouba, tira – e tu?
os nossos brandos costumes
os nossos brandos costumes

empreende ou emigra! – e tu?
os nossos brandos costumes
os nossos brandos costumes

somos substituídos
em economico-politiquês
somos descontinuados
em economico-politiquês
somos massas pró mercado
em economico-politiquês

somos despedidos
em língua franca
não temos contrato
em língua franca
somos escravizados
em língua franca

diz-me se é um privilégio o teu par de horas de ócio
e hoje na TV, no rodapé...
«Mulher mata marido para impedir divórcio»
(está o caldo en-tornado...)

Quem quer caaaaaaaspa nóóóóva?
Óóólh-’ò casposo novo vindo da Euróóóópa!
Nem p’lo Natal... há caspa igual!
Ó meniiiiinos,
Vinde comprar a caspa da Merkel,
que cura a crise e sabe a mel!
Méérca a caspi-iiinha sa-lôô-ia! Ái!
A caspa portuguesa, caspa espanhôôôô-la!

De Demo mocra cracia
Democracia?
Destruir para voltar a construir?
Escuta, a rebentar na praça Syntagma!
Democracia? Destruir para voltar a construir?
Escuta, a rebentar na praça Syntagma!

quarta-feira, 2 de abril de 2014

To geslasto paidi

Letra: Brendan Behan
Tradução para o grego: Vasilis Rotas
Tradução para o português: Cláudia Oliveira e Vera Baeta
Música: Mikis Theodorakis, adaptação para o Coro da Achada por João Caldas


Numa manhã de Agosto, logo de madrugada
saí de casa sentindo o cheiro a terra molhada.

Chorosa uma rapariga, logo disse «não te vás,
mataram à traição o nosso alegre rapaz!»

Rapaz de grande coragem, que hei-de sempre lastimar
a sua presença firme, o seu riso, o seu andar.

Maldita seja a hora, maldito seja o lugar
em que os fascistas roubaram uma vida a começar.

Querido alegre rapaz, a quem não mais veremos
Aqui te faço a jura que não desistiremos

Vássilikiá m’agápi m’agápi tha sekléio
Yá toti ekanéss eionia tha to léo

Yatiólos tuss ekthrussmás thaksséka nécéssí
Dócsátimi stakssérhas to iélásto pedí