«O designado «Hino de Caxias», criado nos inícios da década de 50, terá resultado da colaboração de diversos presos na prisão, designadamente Vasco Costa Marques, Humberto Lopes, Aurélio Santos, Carlos Aboim Inglês, Carlos Costa e Rolando Verdial.»
Interpretação do Coro da Achada para a exposição «A Voz das Vítimas» em 2011.
Ouço ruírem os muros
Quebrarem-se as grades de ferro
da nossa prisão
Treme carrasco que a morte te espera
Na aurora de fogo da libertação
Longos corredores nas trevas percorremos
Sob o olhar feroz dos carcereiros
Mas nem a luz dos olhos que perdemos
Nos faz perder a fé nos companheiros
Vá camarada mais um passo
Que já uma estrela se levanta
Cada fio de vontade são dois braços
E cada braço uma alavanca
Como da noite irrompe a madrugada
Como uma flor rasgando o chão da escória
A nossa voz nas celas soterrada
Já traz em si o canto da vitória
Vá camarada mais um passo
Que já uma estrela se levanta
Cada fio de vontade são dois braços
E cada braço uma alavanca
Podem rasgar meu corpo à chicotada
Podem calar meu grito enrouquecido
Que pra viver de alma ajoelhada
Vale bem mais morrer de rosto erguido
Vá camarada mais um passo
Que já uma estrela se levanta
Cada fio de vontade são dois braços
E cada braço uma alavanca
sábado, 8 de novembro de 2014
Don dinero
Letra: Francisco de Quevedo (séc. XVI-XVII)
Música: Paco Ibáñez
Madre, yo al oro me humillo;
él es mi amante y mi amado,
pues de puro enamorado,
de continuo anda amarillo;
que pues doblón o sencillo,
hace todo cuanto quiero,
poderoso caballero
don, don, dododon, din, don
es don dinero.
Nace en las Indias honrado,
donde el mundo le acompaña,
viene a morir en España
y es en Génova enterrado;
y pues quien le trae al lado
es hermoso, aunque sea fiero,
poderoso caballero
don, don, dododon, din, don
es don dinero.
Es galán, y es como un oro:
tiene quebrado el color;
persona de gran valor,
tan cristiano como moro;
pues que da y quita el decoro
y quebranta cualquier fuero,
poderoso caballero
don, don, dododon, din, don
es don dinero.
Son sus padres principales,
y es de nobles descendiente,
porque en las venas de Oriente
todas las sangres son reales;
y pues es quien hace iguales
al duque y al ganadero,
poderoso caballero
don, don, dododon, din, don
es don dinero.
Por importar en los tratos
y dar tan buenos consejos
en las casas de los viejos
gatos le guardan de gatos;
y pues rompe el recatos
y ablanda al juez más severo,
poderoso caballero
don, don, dododon, din, don
es don dinero.
Nunca vi damas ingratas
a su gusto y afición,
que a las caras de un doblón
hacen sus caras baratas;
y, pues hace las bravatas
desde su bolsa de cuero,
poderoso caballero
don, don, dododon, din, don
es don dinero.
Música: Paco Ibáñez
Madre, yo al oro me humillo;
él es mi amante y mi amado,
pues de puro enamorado,
de continuo anda amarillo;
que pues doblón o sencillo,
hace todo cuanto quiero,
poderoso caballero
don, don, dododon, din, don
es don dinero.
Nace en las Indias honrado,
donde el mundo le acompaña,
viene a morir en España
y es en Génova enterrado;
y pues quien le trae al lado
es hermoso, aunque sea fiero,
poderoso caballero
don, don, dododon, din, don
es don dinero.
Es galán, y es como un oro:
tiene quebrado el color;
persona de gran valor,
tan cristiano como moro;
pues que da y quita el decoro
y quebranta cualquier fuero,
poderoso caballero
don, don, dododon, din, don
es don dinero.
Son sus padres principales,
y es de nobles descendiente,
porque en las venas de Oriente
todas las sangres son reales;
y pues es quien hace iguales
al duque y al ganadero,
poderoso caballero
don, don, dododon, din, don
es don dinero.
Por importar en los tratos
y dar tan buenos consejos
en las casas de los viejos
gatos le guardan de gatos;
y pues rompe el recatos
y ablanda al juez más severo,
poderoso caballero
don, don, dododon, din, don
es don dinero.
Nunca vi damas ingratas
a su gusto y afición,
que a las caras de un doblón
hacen sus caras baratas;
y, pues hace las bravatas
desde su bolsa de cuero,
poderoso caballero
don, don, dododon, din, don
es don dinero.
Dá-me uma gotinha de água
Música tradicional alentejana. Existem muitas variações destas quadras e vamos cantando com o que o nosso amigo Daniel Vieira se for lembrando.
Dá-me uma gotinha d'água
Dessa que eu oiço correr
Entre pedras e pedrinhas [bis]
Alguma gota há-de haver
Alguma gota há-de haver
Quero molhar a garganta
Quero cantar como a rola [bis]
Como a rola ninguém canta
Como a rola ninguém canta
Acredita, podes crer
Dá-me uma pinguinha d'água [bis]
Dessa que eu oiço correr
Dá-me uma gotinha d'água
Dessa que eu oiço correr
Entre pedras e pedrinhas [bis]
Alguma gota há-de haver
Alguma gota há-de haver
Quero molhar a garganta
Quero cantar como a rola [bis]
Como a rola ninguém canta
Como a rola ninguém canta
Acredita, podes crer
Dá-me uma pinguinha d'água [bis]
Dessa que eu oiço correr
Chanson des prisons
Poema de Louise Michel (1971)
Quand la foule, aujourd’hui muette,
Comme l’Océan grondera,
Qu’à mourir elle sera prête,
La Commune se lèvera.
Nous reviendrons, foule sans nombre,
Nous viendrons par tous les chemins,
Spectres vengeurs sortant de l’ombre,
Nous viendrons nous serrant les mains.
La mort portera la bannière.
Le drapeau noir, crêpe de sang,
Et pourpre, fleurira la terre
Libre sous le ciel flamboyant.
Quand la foule, aujourd’hui muette,
Comme l’Océan grondera,
Qu’à mourir elle sera prête,
La Commune se lèvera.
Nous reviendrons, foule sans nombre,
Nous viendrons par tous les chemins,
Spectres vengeurs sortant de l’ombre,
Nous viendrons nous serrant les mains.
La mort portera la bannière.
Le drapeau noir, crêpe de sang,
Et pourpre, fleurira la terre
Libre sous le ciel flamboyant.
Bella ciao
- Canção popular italiana. Inicialmente um canto de trabalho de mondadeiras no século XIX, transformou-se numa canção de resistência durante o século XX.
- Una mattina mi son svegliato,
- o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
- Una mattina mi son svegliato,
- e ho trovato l'invasor.
- O partigiano, portami via,
- o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
- O partigiano, portami via,
- ché mi sento di morir.
- E se io muoio da partigiano,
- o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
- E se io muoio da partigiano,
- tu mi devi seppellir.
- E seppellire lassù in montagna,
- o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
- E seppellire lassù in montagna,
- sotto l'ombra di un bel fior.
- E le genti che passeranno,
- o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
- E le genti che passeranno,
- Mi diranno «Che bel fior!»
- «È questo il fiore del partigiano»,
- o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
- «È questo il fiore del partigiano,
- morto per la libertà!»
- Uma versão italiana.
Águas paradas não movem moinhos
Letra: José Mário Branco a partir de Bertold Brecht
Música: José Mário Branco para o espectáculo A Mãe de A Comuna-Teatro de Pesquisa (1978)
Se te falta a sopa para o prato
Se te falta a sopa para o prato
Como é que pensas comer?
Como é que pensas comer
Se te falta a sopa para o prato
Esta vida eu a renego
Vou virar o bico ao prego
Debaixo da minha fome
É o Estado que se encobre
Pr'á sopa do meu menino
Águas paradas
não movem moinhos
Se o patrão não te dá trabalho
Se o patrão não te dá trabalho
Onde é que está o salário?
Onde é que está o salário
Se o patrão não te dá trabalho?
Pr'acabar com'o desemprego
Vou virar o bico ao prego
Andamos pr'aqui aflitos
Porque o governo é dos ricos
Põe a miséria a render
Águas paradas
não movem moinhos
Os fortes riem dos fracos
Os fortes riem dos fracos
O que é que vais responder?
O que é que vais responder
Se os fortes riem dos fracos
Na unidade é qu'eu pego
Pr'a virar o bico ao prego
Milhões de trabalhadores
São a força que tu fores
Anda pr'á luta comigo
Águas paradas não
movem moinhos
Música: José Mário Branco para o espectáculo A Mãe de A Comuna-Teatro de Pesquisa (1978)
Se te falta a sopa para o prato
Se te falta a sopa para o prato
Como é que pensas comer?
Como é que pensas comer
Se te falta a sopa para o prato
Esta vida eu a renego
Vou virar o bico ao prego
Debaixo da minha fome
É o Estado que se encobre
Pr'á sopa do meu menino
Águas paradas
não movem moinhos
Se o patrão não te dá trabalho
Se o patrão não te dá trabalho
Onde é que está o salário?
Onde é que está o salário
Se o patrão não te dá trabalho?
Pr'acabar com'o desemprego
Vou virar o bico ao prego
Andamos pr'aqui aflitos
Porque o governo é dos ricos
Põe a miséria a render
Águas paradas
não movem moinhos
Os fortes riem dos fracos
Os fortes riem dos fracos
O que é que vais responder?
O que é que vais responder
Se os fortes riem dos fracos
Na unidade é qu'eu pego
Pr'a virar o bico ao prego
Milhões de trabalhadores
São a força que tu fores
Anda pr'á luta comigo
Águas paradas não
movem moinhos
E hoje?
Letra: Coro da Achada / Música: João Caldas e Pedro Rodrigues
privatiza, rouba, tira – e tu?
os nossos brandos costumes
os nossos brandos costumes
empreende ou emigra! – e tu?
os nossos brandos costumes
os nossos brandos costumes
somos substituídos
em economico-politiquês
somos descontinuados
em economico-politiquês
somos massas pró mercado
em economico-politiquês
somos despedidos
em língua franca
não temos contrato
em língua franca
somos escravizados
em língua franca
diz-me se é um privilégio o teu par de horas de ócio
e hoje na TV, no rodapé...
«Mulher mata marido para impedir divórcio»
(está o caldo en-tornado...)
Quem quer caaaaaaaspa nóóóóva?
Óóólh-’ò casposo novo vindo da Euróóóópa!
Nem p’lo Natal... há caspa igual!
Ó meniiiiinos,
Vinde comprar a caspa da Merkel,
que cura a crise e sabe a mel!
Méérca a caspi-iiinha sa-lôô-ia! Ái!
A caspa portuguesa, caspa espanhôôôô-la!
De Demo mocra cracia
Democracia?
Destruir para voltar a construir?
Escuta, a rebentar na praça Syntagma!
Democracia? Destruir para voltar a construir?
Escuta, a rebentar na praça Syntagma!
privatiza, rouba, tira – e tu?
os nossos brandos costumes
os nossos brandos costumes
empreende ou emigra! – e tu?
os nossos brandos costumes
os nossos brandos costumes
somos substituídos
em economico-politiquês
somos descontinuados
em economico-politiquês
somos massas pró mercado
em economico-politiquês
somos despedidos
em língua franca
não temos contrato
em língua franca
somos escravizados
em língua franca
diz-me se é um privilégio o teu par de horas de ócio
e hoje na TV, no rodapé...
«Mulher mata marido para impedir divórcio»
(está o caldo en-tornado...)
Quem quer caaaaaaaspa nóóóóva?
Óóólh-’ò casposo novo vindo da Euróóóópa!
Nem p’lo Natal... há caspa igual!
Ó meniiiiinos,
Vinde comprar a caspa da Merkel,
que cura a crise e sabe a mel!
Méérca a caspi-iiinha sa-lôô-ia! Ái!
A caspa portuguesa, caspa espanhôôôô-la!
De Demo mocra cracia
Democracia?
Destruir para voltar a construir?
Escuta, a rebentar na praça Syntagma!
Democracia? Destruir para voltar a construir?
Escuta, a rebentar na praça Syntagma!
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