Letras

sábado, 1 de setembro de 2018

Senhora se me dá licença


Senhora se me dá licença
canção popular de Janeiras
com versos novos de Diana Dionísio para Janeiro de 2018

Senhora se me dá
licença e dá
sua porta, eu cantar

Senhora se me dá
licença e eu
já vou a começar

Senhora se me dá
Um licranço azul
e um táche pró deitar

Senhora se me dá
estragão e o pau
da colher alcachofrar

Senhora ‘qui está
mezinhas pr’este
ano não coalhar

Senhora se me dá
medronho e é
que a sorte vai chegar

Senhora se me dá
o ancinho pró
banqueiro afastar

Senhora se me dá
regaço pr´á
alma não desmanchar

Senhora será
contente quem
daqui puder provar




Vai-t'embora iano feio


Vai-t'embora iano feio
canção de passagem de ano
letra de Diana Dionísio

Vai-t'embora iano feio
vai-t'embora iano feio
começaste bem bonito
começaste bem bonito

Mas Janus tem duas faces
mas Janus tem duas faces
e às vezes carrapito
e às vezes carrapito

pra melhor está bem está bem
pra pior já basta assim

Para o ano também há
para o ano também há
desemprego e FMI
desemprego e FMI

Mas para gritarmos juntos
mas para gritarmos juntos
encontramo-nos aqui
encontramo-nos aqui

pra melhor está bem está bem
pra pior já basta assim

Da lama do tempo imundo
da lama do tempo imundo
sairão laivos de cor
sairão laivos de cor

De mudar a nossa vida
de mudar a nossa vida
não me demito não senhor
não me demito não senhor

pra melhor está bem está bem
pra pior já basta assim

Faz falta sair de casa
faz falta sair de casa
ver outros olhos nas ruas
ver outros olhos nas ruas

Pôr as mãos a trabalhar
pôr as mãos a trabalhar
cozer as ideias cruas
cozer as ideias cruas

pra melhor está bem está bem
pra pior já basta assim

Sun cuntent de vess al mund


Sun cuntent de vess al mund
Do espectáculo “Ci ragiono e canto, vol. 1”, escrito por Dario Fo em 1966 (versão da reposição em cena em  1977 pelo Collettivo teatrale La Comune)

Sun cuntent de vess al mund
da quand so che l'è rutund
alegher alegher
'me caminà sui veder
sui veder a pé biot
mentre i sciur i fan nagott.

FDP (Fizemos de propósito)


FDP (Fizemos de propósito)
Canção do Coro da Achada em solidariedade com o Festival FDP (Faz, Discute, Participa) de 2012
Um fim de semana com concertos, comes e bebes, música gravada, convívio, animação e diversas actividades, em benefício dos detidos na sequência do despejo da Escola da Fontinha e de crítica à governação do presidente Rui Rio na Câmara Municipal do Porto.

Fazemos das palavras
Fábricas de protesto
Falamos da propriedade
Famintos desta parte

Fizemos depressa para
Fazer depender dos próprios
Ficámos de pé de
Frente dos poderosos

Faz discute participa!

Fartos do poder
Fartos da polícia

Faz discute participa!

Fome de pessoas e
Formas de partilha

Falsos deste país
Fabricam destinos podres
Fritos, desprezados, pobres
Frágeis, deserdados, precários

Fazemos diversos planos
Futuro dos putos
Fontinha, desejo público:
Fomos disso privados

Faz discute participa!

Fartos do poder
Fartos da polícia

Faz discute participa!

Fome de pessoas e
Formas de partilha

(dito: reggae)
Fazer dos pensamentos
Frutos de polpa fértil
Discutir pontos finais
Dissolver partituras

(ska!)
Fazemos das palavras
Fábricas de protesto

Formas de pensar
Formas de passar
Formas de partilhar
Formas de produzir
Formas de participar

Faz discute participa!

Fartos do poder
Fartos da polícia

Faz discute participa!

Fome das pessoas e
Formas de partilha

Faz, discute, participa!


quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Ah, o campo livre


Ah, o campo livre
letra e música de Pedro Rodrigues (2017)

ah
ah, o campo livre, a sola firme
com a linha longe no olhar
os teus olhos na matilha
mas cantando a nota impossível
sem cair

Katiusha


Katiusha (Ai, Katiusha!)
colagem de canção russa Katiusha/ italiana Fischia il vento/ nova letra portuguesa de coro da Achada

Rastvitali yablani i grushi
Paplyli tumani nad rikoy
Vykhadila na byerik katyusha
Na vysoky byerik na krutoy

Vykhadila, pessnhu zavadila
Pra stipnova sizava arla
Pra tavo katorava lyubila
Pra tavo tchi pisma birigla

Fischia il vento urla la bufera
scarpe rotte e pur bisogna andar
a conquistare la rossa primavera
dove sorge il sol dell'avvenir

Se ci coglie la crudele morte,
dura vendetta verrà dal partigian;
ormai sicura è già la dura sorte
del fascista vile e traditor.

E chegada à última fronteira
onde a terra parecia acabar
fez das botas asas e barbatanas
fez-se ao mar, aprendeu a voar

Sopra o vento, grita a tempestade
o pé descalço há de caminhar
gira a terra revolta o universo
ai, Katiusha, não basta sonhar!

Ódios de estimação


Ódios de estimação
música de My favourite things

As armas e barões empertigados
Bolsas e juros, regresso aos mercados
Ver na sanita que não há papel
Cinismo doce, mentiras de mel

Meninos armados ao pingarelho
Lantejoulas no tapete vermelho
Todo este filme excepto esta canção
Estes são meus ódios de estimação

Fachos e nabo e motos de água
Lobos do homem, hienas de farda
Vidas que sabem a favas contadas
Dedos em riste, golas empinadas

Muros e melgas e despertadores
Trinta painéis de comentadores
Queixinhas, bufos e aldrabões
Multas, castigos e repreensões

Ter muita fome e não ter almoço
Subir na vida com jipes de bolso
Marialvas e caga-na-saquinha
Os coldeplay e a bossa velhinha

Excesso de anis, cerimónias de Estado
Quem vê o caldo sempre entornado
Todo este filme excepto esta canção
Estes são meus ódios de estimação

Isto e aquilo, talvez um bocado
Mais aqueloutro e a coisa do lado
Todos e tudo e mais ninguém
Tenho a certeza e/ou não sei bem

Mas às tantas
Sem pachorra
Quase a rebentar
Conto até dez e começo a cantar...

Tudo o que eu hei de amar