Letras

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Chula da Póvoa


Chula da Póvoa
Zeca Afonso
LP Com as Minhas Tamanquinhas, 1976

Em Janeiro bebo o vinho
Em Fevereiro como o pão
Nem que chovam picaretas
Hás-de cair, Rei-Milhão

Adeus, cidade do Porto
Adeus muros de Custóias
Cantando à chuva e ao vento
Andei a enganar as horas

Tenho mais de mil amigos
Aqui não me sinto só
Cantarei ao desafio
Ninguém tenha de mim dó

Ó meu Portugal formoso
Berço de latifundiários
Onde um primeiro ministro
Já manda a merda os operários

Já hoje muito maroto
Se diz revolucionário
E faz da bolsa do povo
Cofre-forte do bancário

Camaradas lá do Norte
Venham ao Sul passear
Cá nas nossas cooperativas
Há sempre mais um lugar

La merveille de la musique

La merveille de la musique
poema de Louis Aragon
música de Marcel Corneloup

La merveille de la musique est de n’être que mouvement,
C’est comme l’eau que l’on regarde
Et tout y bouge vaguement.

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Cabum!

Cabum!
Cânone inglês séc. XVI
(com nova letra inventada)

Cab'um, cabem dois
Cabem multidões
E mais três gigantes
e alguns anões
Toca à porta o elefante
Pousa a tromba no gigante
Ai, troliloliloli...
(E mais um gato)

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Quatro Coisas Quer o Amo

Quatro Coisas Quer o Amo 
GAC - Grupo de Acção Cultural (1977)


Quatro coisas quer o amo
Ai quatro coisas quer o amo
Do criado que o serve (x2)

Deitar tarde e erguer cedo
Ai, deitar tarde e erguer cedo
Comer pouco e andar alegre

Já lá vai chuva e a noite
Ai, já lá vai chuva e a noite
Já la vem nossa alegria

Tristeza prá nosso amo
Ai, tristeza pró nosso amo
Que se acabou o dia 

Já o sol se vai embora
Ai, já o sol se vai embora
Por detrás do cabecinho
´
Quem dera ao patrão atá-lo
Ai, quem dera ao patrão atá-lo
Na ponta de um nagalhinho

Se ele pudesse e bem quisera
Ai, se ele pudesse e bem quisera
Fazer o dia maior

Dar o nó na pinta verde
Ai, dar o nó na pinta verde
Pra que o sol se não pusesse

Farewell Johnny Miner

Farewell Johnny Miner
canção de Ed Pickford (1970)

Johnny Miner, you were born
Never to see the rising dawn
Now it's time that you were gone
Farewell Johnny Miner!


Refrão:
And farewell Durham, Yorkshire too
Nottingham, the same to you
Scotland, South Wales, bid Adieu
Farewell Johnny Miner


They've promised you the earth sometimes
To go down in their stinkin' mines
Now the justice for their crimes
Is Farewell, Johnny Miner!


You've struggled with the sliding scale
Lungs turned black & faces pale
Now your body's up for sale
Farewell Johnny Miner!


Cheer up John, don't take it hard
Unemployment isn't bad
They'll treat you well in the knackers' yard
Farewell Johnny Miner!

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Youkali


YOUKALI
Música de Kurt Weil
Versão portuguesa de Regina Guimarães

É ao cabo do mundo
Que um barco vagabundo
Vogando já sem rumo
Acaso nos conduz
Numa ilha distante
Mora essa voz amante
Que incita o visitante
A mergulhar na luz

Youkali é o ilhéu dos nossos desejos
Youkali, regaço onde nascem os beijos
Youkali é onde acaba a nossa desolação
É na escuridão um grande clarão
A estrela cadente
Que é de toda a gente

Em Youkali, cada promessa será respeitada
Youkali, onde cada paixão será partilhada
Cada esperança
Nos aproxima e nos fortalece
E a liberdade
A cada passo cresce e acontece

Youkali é o ilhéu dos nossos desejos
Youkali, regaço onde nascem os beijos
Se for um sonho, uma loucura
Como viver
Sem impostura?

Nesta vida canina
Quem manda é a rotina
E a gente desatina
Buscando alienação
Porém na nossa mente
Resta um sonho dormente
Uma fome divina
De emancipação

Youkali é o ilhéu dos nossos desejos
Youkali, regaço onde nascem os beijos
Youkali é onde acaba a nossa desolação
É na escuridão um grande clarão
A estrela cadente
Que é de toda a gente

Em Youkali, cada promessa será respeitada
Youkali, onde cada paixão será partilhada
Cada esperança
Nos aproxima e nos fortalece
E a liberdade
A cada passo cresce e acontece

Youkali é o ilhéu dos nossos desejos
Youkali, regaço onde nascem os beijos
Mas é um sonho vivido aqui
Não existe
Um Youkali


sábado, 1 de setembro de 2018

Senhora se me dá licença


Senhora se me dá licença
canção popular de Janeiras
com versos novos de Diana Dionísio para Janeiro de 2018

Senhora se me dá
licença e dá
sua porta, eu cantar

Senhora se me dá
licença e eu
já vou a começar

Senhora se me dá
Um licranço azul
e um táche pró deitar

Senhora se me dá
estragão e o pau
da colher alcachofrar

Senhora ‘qui está
mezinhas pr’este
ano não coalhar

Senhora se me dá
medronho e é
que a sorte vai chegar

Senhora se me dá
o ancinho pró
banqueiro afastar

Senhora se me dá
regaço pr´á
alma não desmanchar

Senhora será
contente quem
daqui puder provar