Letras

quinta-feira, 25 de julho de 2019

Pois, é a vida


Pois, é a vida
Sérgio Godinho (do álbum Salão de Festas, 1984)

Pois, é a vida
pois, pois, pois é, pá
não há melhor
é o melhor que há
deseja que embrulhe
ou é pra viver já?
Deseja que embrulhe
ou é pra
viver já

Botaram tanta fumaça

Botaram tanta fumaça
Tom Zé (1973)

Botaram tanto lixo, botaram tanta fumaça
Botaram tanto lixo
por baixo da consciência da cidade,
que a cidade
tá, tá tá tá tá
com a consciência podre.

Botaram tanto lixo, botaram tanta fumaça
Botaram tanta fumaça
por cima dos olhos dessa cidade,
que essa cidade
tá, tá tá tá tá
está com os olhos ardendo.
 
Botaram tanto lixo, botaram tanta fumaça
Botaram tanto metrô e minhocão
nos ombros da cidade,
que a cidade
tá, tá tá tá ta.
 
Está cansada,
sufocada,
está doente,
tá gemendo
de dor de cabeça,
de tuberculose,
tá com o pé doendo,
está de bronquite,
de laringite,
de hepatite,
de faringite,
de sinusite,
está de meningite.
Está, se...
ta tá tá tá tá
com a consciência podre.
 
Botaram tanto lixo, botaram tanta fumaça
Botaram tanta preocupação
nos miolos da cidade
que a cidade
tá, tá tá tá tá
está de cuca quente.

A cidade e as merdas


A cidade e as merdas
música de Torna a Surriento
letra de Pedro Rodrigues


1
Vai-se a cidade entregando
Desocupam-se os lugares
Não é para tu morares
É só pró lucro lucrar

2
Mas como é que a gente vive
Sem cantinas sociais
Creches, casas, hospitais
E jardins pra descansar?

3
Mas como é que a gente vive
Se o que manda é o dinheiro
A penar o mês inteiro
Para a renda se pagar...

4
Ó cidade, tu
Tens de te revoltar
Ou vou-me embora...
Vou a...campar!


Erguem-se muros

Erguem-se muros
Música: Adriano Correia de Oliveira
(gravações no EP Menina dos Olhos Tristes, 1969 e no LP Adriano Correia de Oliveira, 1973 )
Letra: António Ferreira Guedes (1964)


Erguem-se muros em volta
do corpo quando nos damos
amor semeia a revolta
que nesse instante calamos

Semeia a revolta e o dia
cobrir-se-á de navios (bis)
há que fazer-nos ao mar
antes que sequem os rios

Secos os rios a noite
tem os caminhos fechados (bis)
Há que fazer-nos ao mar
ou ficaremos cercados

Amor semeia a revolta
antes que sequem os rios...

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Chula da Póvoa


Chula da Póvoa
Zeca Afonso
LP Com as Minhas Tamanquinhas, 1976

Em Janeiro bebo o vinho
Em Fevereiro como o pão
Nem que chovam picaretas
Hás-de cair, Rei-Milhão

Adeus, cidade do Porto
Adeus muros de Custóias
Cantando à chuva e ao vento
Andei a enganar as horas

Tenho mais de mil amigos
Aqui não me sinto só
Cantarei ao desafio
Ninguém tenha de mim dó

Ó meu Portugal formoso
Berço de latifundiários
Onde um primeiro ministro
Já manda a merda os operários

Já hoje muito maroto
Se diz revolucionário
E faz da bolsa do povo
Cofre-forte do bancário

Camaradas lá do Norte
Venham ao Sul passear
Cá nas nossas cooperativas
Há sempre mais um lugar

La merveille de la musique

La merveille de la musique
poema de Louis Aragon
música de Marcel Corneloup

La merveille de la musique est de n’être que mouvement,
C’est comme l’eau que l’on regarde
Et tout y bouge vaguement.

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Cabum!

Cabum!
Cânone inglês séc. XVI
(com nova letra inventada)

Cab'um, cabem dois
Cabem multidões
E mais três gigantes
e alguns anões
Toca à porta o elefante
Pousa a tromba no gigante
Ai, troliloliloli...
(E mais um gato)