Letras

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Bread and Roses

(1912)
poema de James Oppenheim
música de Caroline Kohlsaat ou Martha Coleman

A 1 de Janeiro de 1912 os trabalhadores da fábrica têxtil Lawrence Textile
entraram em greve reagindo aos cortes salariais e à oposição dos patrões em cumprir uma nova lei que limitava o número de horas do trabalho de menores.
Os trabalhadores fizeram uma greve de nove semanas exigindo aumento de salários, a não discriminação de trabalhadores imigrantes e grevistas, salário igual para as mulheres, fim das acelerações do tempo de trabalho, entre outras reivindicações. Grande parte foram conseguidas. Numa manifestação algumas mulheres levaram pancartas com o slogan "Bread and Roses. Oppenheim inspirou-se nelas para o poema. E Martha Coleman terá feito a música, adaptando o poema. A canção tornou-se um marco na luta pela emancipação das mulheres.

As we go marching, marching, in the beauty of the day,
A million darkened kitchens, a thousand mill lofts gray,
Are touched with all the radiance that a sudden sun discloses,
For the people hear us singing: Bread and Roses! Bread and Roses!

As we go marching, marching, we battle too for men,
For they are women's children, and we mother them again.
Our lives shall not be sweated from birth until life closes;
Hearts starve as well as bodies; give us bread, but give us roses.

As we go marching, marching, unnumbered women dead
Go crying through our singing their ancient call for bread.
Small art and love and beauty their drudging spirits knew.
Yes, it is bread we fight for, but we fight for roses too.

As we go marching, marching, we bring the greater days,
The rising of the women means the rising of the race.
No more the drudge and idler, ten that toil where one reposes,
But a sharing of life's glories: Bread and roses, bread and roses.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Encontrei um banqueiro

música de "Les Archers du Roi",
(canção de Albert Santoni et A. Pontin, 1961)
letra do coro da Achada,
(para a Greve Geral de Novembro de 2011)

Encontrei um banqueiro
que acumulava dinheiro
e mandava toda a gente trabalhar

Emprestava dinheiro
e roubava o mundo inteiro
deu-me um tostão mas estava preso ao alcatrão

Estamos fartos de senhores
Pelos cabelos com estupores
Não me peçam para engolir isto
De mudar a vida não desisto

Não, não não me peças pá
Que lamba as botas do marajá

Letra francesa original:

Ils ont commencé la saison
En fauchant les moissons
Avec les sabots de leurs coursiers
Ils sont venus à la maison
Ils ont pris les garçons
Sans demander permission !
Je les ai vu courber l’échine
Sous les coups de fouet qui pleuvaient
Cordes d’acier bardées d’épines
Qui les mordaient, les saignaient.

Non, ne me demandez pas
De saluer les archers du Roi

Et tout là-haut sur la colline,
la potence est dressée
Pour pendre ceux qu’on a condamnés
On y accroche au matin
Le mendiant qui a faim,
le bandit de grands chemins,
Celui qui, dans sa misère,
Voulut maudire le nom du Roi
Parce qu’il lui avait pris sa terre,
Son blé, sa réserve de bois.

Derrière chez moi il y avait
une fille que j’aimais
et qui m’avait donné ses printemps.
Mais un jour on l’a emmenée
Pour aller assister
A la noce d’un archer !
J’ai vu des tours tomber la pierre
J’ai entendu les gens hurler
Son corps fut jeté sans prières
Sur le bas-côté d’un fossé.

domingo, 18 de dezembro de 2011

E più non canto

Canto tradicional italiano

E più non canto, e più non ballo
perché ’l mio amore l’è andà soldà.

L’è andà soldato l’è andà alla guerra
E chi sa quando ritornerà.

Faremo fare ponte di ferro
Per traversare di là dal mar.

Quando fu stato di là dal mare
Ed un bel giovane l’incontrò.

M’ha detto: Giovane, caro bel giovane
Avete visto il mio primo amor?

Si, si l’ho visto in piazza d’armi
Che lo portavano a seppellir.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Taça de branco, copo de tinto

canção popular da Beira
letra: Diana Dionísio

Os europeus engordados
Têm no mundo mil escravos

(refrão) x2
Taça de branco
Copo de tinto
Tu escavas o ouro
E eu dou-te um quinto

Ontem treino de balística
Hoje é viagem turística
(refrão)

Lusofonia no paleio
Nos bairros há tiroteio
(refrão)

Tolero a tua dissonância
Desde que seja à distância
(refrão)

De chandòri à mouraria
Muda a água da companhia
(refrão)

terça-feira, 21 de junho de 2011

Rebel song

de James Connolly

Come, workers, sing a rebel song,
A song of love and hate;
Of love unto the lowly
And of hatred to the great,
The great who trod our fathers down,
Who steal our children’s bread,
Whose hands of greed are stretch’d to rob
The living and the dead.

Refrão:
Then sing our rebel song
As we proudly sweep along
To end the age-old tyranny
That makes for human tears.
Our march is nearer done
With each setting of the sun,
And the tyrant’s might is passing
With the passing of the years.


We sing no song of wailing,
And no songs of sights or tears,
High are our hopes and stout our hearts,
And banished all our fears.
Our flag is raised above us,
So that all the world may see,
'Tis Labour’s faith and Labours arm
Alone can Labour free.

Refrão

Out of the depths of misery,
We march with hearts aflame,
With wrath against the rulers false,
Who wreck our manhood’s name.
The serf who licks the tyrant’s rod,
May bend forgiving knee;
The slave who breaks his slav’ry’s chain,
A wrathful man must be.

Refrão

Our army marches onward
with its face towards the dawn,
In trust secure in that one thing
the slave may lean upon,
The might within the arm of him
who, knowing freedom's worth,
Strikes home to banish tyranny
from off the face of earth

Refrão

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Coro da Primavera

letra e música: José Afonso
canção incluída no disco Cantigas do Maio (1971)

Cobre-te canalha
Na mortalha
Hoje o rei vai nu

Os velhos tiranos
De há mil anos
Morrem como tu

Abre uma trincheira
Companheira
Deita-te no chão

Sempre à tua frente
Viste gente
Doutra condição

Ergue-te ó Sol de Verão
Somos nós os teus cantores
Da matinal canção
Ouvem-se já os rumores
Ouvem-se já os clamores
Ouvem-se já os tambores

Livra-te do medo
Que bem cedo
Há-de o Sol queimar

E tu camarada
Põe-te em guarda
Que te vão matar

Venham lavradeiras
Mondadeiras
Deste campo em flor

Venham enlaçadas
De mãos dadas
Semear o amor

Ergue-te ó Sol de Verão
Somos nós os teus cantores
Da matinal canção
Ouvem-se já os rumores
Ouvem-se já os clamores
Ouvem-se já os tambores

Venha a maré cheia
Duma ideia
P'ra nos empurrar

Só um pensamento
No momento
P'ra nos despertar

Eia mais um braço
E outro braço
Nos conduz irmão

Sempre a nossa fome
Nos consome
Dá-me a tua mão

Ergue-te ó Sol de Verão
Somos nós os teus cantores
Da matinal canção
Ouvem-se já os rumores
Ouvem-se já os clamores
Ouvem-se já os tambores

Mãos vazias às mãos cheias

letra de Regina Guimarães
música do Coro da Achada


Mãos vazias às mãos cheias
para se darem ou não
- ai quem dera tropeçar
e cair em mãos alheias.

Mãos na ilharga ou na massa
suando e fazendo suas
coisas que outrora eram de outros
e depois em pausa em pose.

Mãos capazes de pensar
aptas a crer sem ter visto
- e se mão sou entre mãos
persisto até me enganar.

Mãos construindo palavras
que o vento não levará:
em bruxas não acredito
porém que as há... há.

Mãos que devem temem tomam
tiram atiram aturam
pegam apagam e pagam
quem tem duas mãos tem tudo

mas ter uma é mais que nada.