Letras

sábado, 8 de novembro de 2014

Temps des cerises

Letra: Jean-Baptiste Clément,
Música de Antoine Renard, 1866, depois da Comuna de Paris

Crê-se que foi dedicada por Jean-Baptiste Clément a uma enfermeira dos Communards

Quand nous chanterons le temps des cerises
Et gai rossignol et merle moqueur
Seront tous en fête
Les belles auront la folie en tête
Et les amoureux du soleil au coeur
Quand nous chanterons le temps des cerises
Sifflera bien mieux le merle moqueur

Mais il est bien court le temps des cerises
Où l´on s´en va deux cueillir en rêvant
Des pendants d´oreilles
Cerises d´amour aux robes pareilles
Tombant sous la feuille en gouttes de sang
Mais il est bien court le temps des cerises
Pendants de corail qu´on cueille en rêvant

Quand vous en serez au temps des cerises
Si vous avez peur des chagrins d´amour
Evitez les belles
Moi qui ne crains pas les peines cruelles
Je ne vivrai pas sans souffrir un jour
Quand vous en serez au temps des cerises
Vous aurez aussi des peines d´amour

J´aimerai toujours le temps des cerises
C´est de ce temps-là que je garde au coeur
Une plaie ouverte
Et Dame Fortune, en m´étant offerte
Ne saura jamais calmer ma douleur
J´aimerai toujours le temps des cerises
Et le souvenir que je garde au coeur

Solidariedade

Poema de Mário Dionísio, publicado em Poemas (1936-38)
Música de João Caldas.


Vamos, dêem as mãos.

Porquê esse ar de eterna desconfiança?
esse medo? essa raiva?
Porquê essa imensa barreira
entre o Eu e o Nós na natural conjugação do verbo ser?

Vamos, dêem as mãos.

Para quê esses bons-dias, boas-noites,
se é um grunhido apenas e não uma saudação?
Para quê esse sorriso
se é um simples contrair da pele e nada mais?

Vamos, dêem as mãos.

Já que a nossa amargura é a mesma amargura
Já que a miséria para nós tem as mesmas sete letras,
Já que o sangrar de nossos corpos é o vergão da mesma chicotada,
fiquemos juntos,
sejamos juntos.
Porquê esse ar de eterna desconfiança?
esse medo? essa raiva?

Vamos, dêem as mãos.


Precious Friend

Música de Pete Seeger.

Just when I thought
All was lost, you changed my mind.
You gave me hope (not just the old soft soap)
You showed me how to share in time
(you and me and Rockefeller)
I'll keep pluggin' on,
Your face will shine, through all our tears,
And when we sing another little victory song,
Precious Friend, you will be there,
Singing in harmony,
Precious Friend, you will be there.

Por trás daquela janela

Música e letra de José Afonso, editado no disco Eu vou ser como a toupeira (1972).
Dedicada ao seu amigo Alfredo Matos, que estava preso pela PIDE.


Por trás daquela janela
por trás daquela janela
Faz anos o meu amigo
E irmão
Não pôs cravos na lapela
Por trás daquela janela
Nem se ouve nenhuma estrela
Por trás daquele portão

Se aquela parede andasse
Se aquela parede andasse
Eu não sei o que faria
Não sei
Se a minha faca cortasse
Se aquela parede andasse
E um grito enorme se ouvisse
Duma criança ao nascer

Talvez o tempo corresse
Talvez o tempo corresse
E a tua voz me ajudasse
A cantar
Mais dura a pedra moleira
E a fé, tua companheira
Mais pode a flecha certeira
E os rios que vão pró mar

Na noite que segue ao dia
Na noite que segue ao dia
O meu amigo lá dorme
De pé
E o seu perfil anuncia
Naquela parede fria
Uma canção de alegria
No vai e vem da maré

Por trás daquela janela
por trás daquela janela
Faz anos o meu amigo
E irmão
Não pôs cravos na lapela
Por trás daquela janela
Nem se ouve nenhuma estrela
Por trás daquele portão

Kleiner Kalle Theodor

Canção de piratas de A Pipi das Meias Altas.

Der jüngste und beste Matrose an Bord -
das war der kleine Kalle Theodor
Die Mutter, die weinte: Geh bitte nicht fort
Doch ihn rief die See -
Den Kalle Theodor

Wenn der Sturm in den Wanten pfeifft
dann schrie er laut. Ahoi! Ohe!
Hatte kein Heimweh
Denn seine Heimat war jetzt die weite See
Ahoi! Ohe!

Er fuhr auf den Meeren der ganzen Welt -
der kleine Matrose Kalle Theodor
Doch dann ist sein Schiff an dem Riff zerschellt
Und versank mit dem kleinen Kalle Theodor

Südernkreuz und Polarstern,
Die riefen ihm noch nach: Ahoi! Ohe!
Hatte kein Heimweh
Denn deine Heimat war jetzt die weite See
Ahoi! Ohe!

Klabautermann nahm ihn in seinen Arm
er ist der beste Freund von Kalle Theodor
Die See ist seine Wiege
Die See hält ihn warm -
Den kleinen Seemann Kalle Theodor

Wenn der Sturm in den Wanten pfeifft
Dann sagt er dir: Ade, ade!
Hatte kein Heimweh
Denn seine Heimat war jetzt die weite see
Ahoi! Ohe!

Hino de Caxias

«O designado «Hino de Caxias», criado nos inícios da década de 50, terá resultado da colaboração de diversos presos na prisão, designadamente Vasco Costa Marques, Humberto Lopes, Aurélio Santos, Carlos Aboim Inglês, Carlos Costa e Rolando Verdial.»
Interpretação do Coro da Achada para a exposição «A Voz das Vítimas» em 2011.


Ouço ruírem os muros
Quebrarem-se as grades de ferro
da nossa prisão
Treme carrasco que a morte te espera
Na aurora de fogo da libertação

Longos corredores nas trevas percorremos
Sob o olhar feroz dos carcereiros
Mas nem a luz dos olhos que perdemos
Nos faz perder a fé nos companheiros

Vá camarada mais um passo
Que já uma estrela se levanta
Cada fio de vontade são dois braços
E cada braço uma alavanca

Como da noite irrompe a madrugada
Como uma flor rasgando o chão da escória
A nossa voz nas celas soterrada
Já traz em si o canto da vitória

Vá camarada mais um passo
Que já uma estrela se levanta
Cada fio de vontade são dois braços
E cada braço uma alavanca

Podem rasgar meu corpo à chicotada
Podem calar meu grito enrouquecido
Que pra viver de alma ajoelhada
Vale bem mais morrer de rosto erguido

Vá camarada mais um passo
Que já uma estrela se levanta
Cada fio de vontade são dois braços
E cada braço uma alavanca

Don dinero

Letra: Francisco de Quevedo (séc. XVI-XVII)
Música: Paco Ibáñez


Madre, yo al oro me humillo;
él es mi amante y mi amado,
pues de puro enamorado,
de continuo anda amarillo;
que pues doblón o sencillo,
hace todo cuanto quiero,
poderoso caballero
don, don, dododon, din, don
es don dinero.

Nace en las Indias honrado,
donde el mundo le acompaña,
viene a morir en España
y es en Génova enterrado;
y pues quien le trae al lado
es hermoso, aunque sea fiero,
poderoso caballero
don, don, dododon, din, don
es don dinero.

Es galán, y es como un oro:
tiene quebrado el color;
persona de gran valor,
tan cristiano como moro;
pues que da y quita el decoro
y quebranta cualquier fuero,
poderoso caballero
don, don, dododon, din, don
es don dinero.

Son sus padres principales,
y es de nobles descendiente,
porque en las venas de Oriente
todas las sangres son reales;
y pues es quien hace iguales
al duque y al ganadero,
poderoso caballero
don, don, dododon, din, don
es don dinero.

Por importar en los tratos
y dar tan buenos consejos
en las casas de los viejos
gatos le guardan de gatos;
y pues rompe el recatos
y ablanda al juez más severo,
poderoso caballero
don, don, dododon, din, don
es don dinero.

Nunca vi damas ingratas
a su gusto y afición,
que a las caras de un doblón
hacen sus caras baratas;
y, pues hace las bravatas
desde su bolsa de cuero,
poderoso caballero
don, don, dododon, din, don
es don dinero.