Letras

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Panis et Circensis

 Panis et Circensis
Gilberto Gil e Caetano Veloso
Versão de Os Mutantes 1968

Eu quis cantar
Minha canção iluminada de Sol
Soltei os panos sobre os mastros no ar
Soltei os tigres e os leões nos quintais
Mas as pessoas na sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer

Mandei fazer
De puro aço luminoso, um punhal
Para matar o meu amor e matei
Às cinco horas na Avenida Central
Mas as pessoas na sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer

Mandei plantar
Folhas de sonho no jardim do solar
As folhas sabem procurar pelo Sol
E as raízes procurar, procurar

Mas as pessoas na sala de jantar
Essas pessoas na sala de jantar
São as pessoas da sala de jantar
Mas as pessoas na sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer 

Essas pessoas da sala de jantar
Essas pessoas da sala de jantar
Essas pessoas da sala de jantar
Essas pessoas da sala de jantar
Essas pessoas na sala de jantar
Essas pessoas na sala de jantar
Essas pessoas na sala de jantar
Essas pessoas na sala de jantar 

Essas pessoas na sala de jantar
Essas pessoas na sala


Il bersagliere ha cento penne (Il partigiano)

 Il bersagliere ha cento penne

Il bersagliere ha cento penne
e l'alpino ne ha una sola
il partigiano ne ha nessuna
e sta sui monti a guerreggiar

il partigiano ne ha nessuna  
e sta sui monti a guerreggiar

Là sui monti vien giù la neve
la bufera dell'inverno
ma se venisse anche l'inferno
il partigiano riman lassù

Quando viene la notte scura
tutti dormono alla pieve
ma camminando sopra la neve
il partigiano scende in azion

Quando poi ferito cade
non piangetelo dentro al cuore
perchè se libero un uomo muore
che cosa importa di morir

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Canto do povo de um lugar

Canto do povo de um lugar
Caetano Veloso (álbum Jóia, 1975)
nota: a letra está de acordo com o publicado no encarte do disco original


Todo o dia o sol levanta
E a gente canta ao sol de todo o dia
Finda a tarde a terra cora
E a gente chora porque finda a tarde
Quando a noite a lua mansa
E a gente dança venerando a noite

Saluteremo il signor padrone

Saluteremo il signor padrone versão de Giovanna Daffini e Vittorio Carpi - Saluteremo il Signor Padrone Do disco Una Voce Un Paese (I Dischi Del Sole, 1967)

Saluteremo il signor padrone Per il male che ci ha fatto Che ci ha sempre maltrattato Fino all'ultimo momen' Saluteremo il signor padrone Per la sua risera neta Pochi soldi in la casseta Ed i debiti a pagar Macchinista macchinista faccia sporca Metti l'olio nei stantuffi Di risaia siamo stufi Di risaia siamo stufi Macchinista macchinista faccia sporca Metti l'olio nei stantuffi Di risaia siamo stufi A casa nostra vogliamo andar Con un piede con un piede sulla staffa E quell'altro sul vagone Ti saluto cappellone Ti saluto cappellone Con un piede con un piede sulla staffa E quell'altro sul vagone Ti saluto cappellone A casa nostra vogliamo andar

Despedida

 Despedida

poema de Valentim Alexandre (Agosto de 2025)
música de Pedro Rodrigues

Não quero mais sentir como apodrecem
as raízes do sonho e da razão
não quero mais ouvir como regressam
os uivos dos que matam sem perdão
não quero mais provar o trago amargo
que me dão a beber todos os dias
não quero mais dormir sobre o remorso
que não é meu mas dorme no meu dorso
não quero mais olhar as mansas rias
coalhadas de cisco e de cimento
e as gaivotas cuspindo o seu lamento
nas vagas devastadas pelo vento

é tempo de pôr fim à longa ausência
no navio que me trouxe no porão
retorno sem bandeira e sem pendão
à ilha onde vivi a minha infância




um boné de pala sobre o mundo

um boné de pala sobre o mundo

colagem de um poema e excerto de outro de O riso dissonante, de Mário Dionísio (1950)
música: Pedro Rodrigues

(dito:)
um boné de pala sobre o mundo
hirto de sombra iluminado

lança uma flor de arremesso nítida
erguendo bairros de frescor
com as blusas manchadas com as mãos manchadas
com o riso e a voz para sempre manchados

(uma voz:)
homens áfonos soltam o prenúncio
da alegria do tempo inevitável

falo e não falo oiço
oiço e não oiço penso
penso e não penso sofro
sofro e não sofro canto
canto em surdina espantos







Stoyit’ Hora Kruta

 Stoyit’ Hora Kruta

canção tradicional ucraniana

Stoyit' hora kruta, hora vysokaia

Nyekto tam ne buvav, nyekto tam ne letav

Okrome sokola. (x2)


Poidu do hir krutyk, popelachu tame sama

Spyetaiu sokola, spyetaiu syezoho

De bachev myeloho. (x2)


Okte diveche nonheko, ya tobi take skadju

Nochu oddekaiu, a dnom ne lyetaiu

Nichoho ne znaiu. (x2)


Yakay nesha senaia, yaya zabelu delasia

Nemaie myeloho, moho kokanoho

Yomu sudelasia (x2)


Poke te dje vyesoko, proshu numa tevoho

Prynesy vestochko meni veseluiu

Od myeloho je moho (x2)


Okte diveche nonheko ne djde, djeve da odna

Nemaie myeloho, moho kokanoho,

Yoho djevoi nema (x2)




Tradução livre para português:

Há uma montanha íngreme, uma montanha alta

Jamais alguém esteve lá, jamais alguém voou até lá

Exceto um falcão. (2x)


Irei para os montes íngremes, chorarei lá sozinha

Perguntarei ao falcão, perguntarei ao pássaro azul

Viste o meu namorado? (2x)


Oh, minha menina, vou-te dizer

Eu voei à noite, mas não voei de dia

Não sei de nada. (2x)


Que tristeza, que perda

Não há aqui nenhum namorado, meu doce

É o que me parece. (2x)


Enquanto estás aí no alto, imploro-te

Traz-me notícias alegres

Do meu querido amado. (2x)


Oh, minha menina, não chores, deita-te sozinha

Já não há namorado, o teu amado

Já não está vivo. (2x)


terça-feira, 16 de abril de 2024

Gallo rojo, gallo negro

Gallo rojo, gallo negro
(Los dos gallos)
letra e música de Chicho Sánchez Ferlosio
(Canciones de la resistencia española, 1963)

Cuando canta el gallo negroEs que ya se acaba el díaSi cantara el gallo rojoOtro gallo cantaría
Ay, si es que yo mientoQue el cantar que yo cantoLo borre el vientoAy, qué desencantoSi me borrara el vientoLo que yo canto
Se encontraron en la arenaLos dos gallos frente a frenteEl gallo negro era grandePero el rojo era valiente
Ay, si es que yo mientoQue el cantar que yo cantoLo borre el vientoAy, qué desencantoSi me borrara el vientoLo que yo canto
Se miraron cara a caraY atacó el negro primeroEl gallo rojo es valientePero el negro es traicionero
Ay, si es que yo mientoQue el cantar que yo cantoLo borre el vientoAy, qué desencantoSi me borrara el vientoLo que yo canto
Gallo negro, gallo negroGallo negro, te lo adviertoNo se rinde un gallo rojoMás que cuando está ya muerto
Ay, si es que yo mientoQue el cantar que yo cantoLo borre el vientoAy, qué desencantoSi me borrara el vientoLo que yo canto

quarta-feira, 22 de novembro de 2023

Liberdade («O poema é»)

Liberdade («O poema é»)
Sophia de Mello Breyner Andresen, in "O Nome das Coisas"

O poema é
A liberdade

Um poema não se programa
Porém a disciplina
— Sílaba por sílaba —
O acompanha

Sílaba por sílaba
O poema emerge
— Como se os deuses o dessem
O fazemos


Do que um homem é capaz

Do que um homem é capaz
letra e música de José Mário Branco
(da peça «Gulliver», de Swift/ Hélder Costa)

Do que um homem é capaz
As coisas que ele faz
Pra chegar aonde quer

É capaz de dar a vida
Pra levar de vencida
Uma razão de viver

A vida é como uma estradaQue vai sendo traçadaSem nunca arrepiar caminho
E quem pensa estar paradoVai no sentido erradoA caminhar sozinho
Vejo gente cuja vidaVai sendo consumidaPor miragens de poder
Agarrados a alguns ossosNo meio dos destroçosDo que nunca hão de fazer
Vão poluindo o percursoCo'as sobras do discursoQue lhes serviu pr'abrir caminho
À custa das nossas utopiasUsurpam regaliasPra consumir sozinhos
Com políticas concretasImpõem essas metasQue nos entram casa adentro
Como a TrilateralCo' a treta liberalE as virtudes do centro
No lugar da consciênciaA lei da concorrênciaPisando tudo p'lo caminho
Pra castrar a juventudeMascaram de virtudeO querer vencer sozinho
Ficam cínicos brutaisDescendo cada vez maisPra subir cada vez menos
Quanto mais o mal se expandeMais acham que ser grandeÉ lixar os mais pequenos
Quem escolhe ser assimQuando chegar ao fimVai ver que errou o seu caminho
Quando a vida é hipotecadaNo fim não sobra nadaE acaba-se sozinho
Mesmo sendo os poderososTão fracos e gulososQue precisam do poder
Mesmo havendo tanta gentePra quem é indiferentePassar a vida a morrer
Há princípios e valoresHá sonhos e amoresQue sempre irão abrir caminho
E quem viver abraçadoÀ vida que há ao ladoNão vai morrer sozinho
E quem morrer abraçadoÀ vida que há ao ladoNão vai viver sozinho

Propagande des chansons

PROPAGANDE DES CHANSONS

letra: Eugène Pottier
música: Pedro Rodrigues

À Gustave Nadaud

Le monde va changer de peau.
Misère, il fuit ton bagne.
Chacun met cocarde au chapeau,
L’ornière et la montagne ;
Sac au dos, bourrez vos caissons !
Entrez vite en campagne,
Chansons !
Entrez vite en campagne !

Avec vous, montant aux greniers,
Que l’espoir s’y hasarde !
Grabats sans draps, pieds sans souliers,
Froid qui mord, pain qui tarde :
On y meurt de bien des façons !…
Entrez dans la mansarde,
Chansons !
Entrez dans la mansarde !

Que le laboureur indigent
Voie à votre lumière
Si la faulx des prêteurs d’argent
Tond ses blés la première.
Mieux vaudrait la grêle aux moissons.
Entrez dans la chaumière,
Chansons !
Entrez dans la chaumière !

Les marchands sont notre embarras,
L’esprit démocratique
Tombe à zéro, - souvent plus bas ! -
Chez l’homme qui trafique.
Tirez du feu de ces glaçons !…
Entrez dans la boutique,
Chansons !
Entrez dans la boutique !

On vous prendra, dit le rusé,
Propriété, famille.
Le propriétaire abusé
S’enferme et croit qu’on pille.
Pour guérir ces colimaçons,
Entrez dans leur coquille,
Chansons !
Entrez dans leur coquille !

En paix, l’armée est un écrou
Dans la main qui gouverne,
Pour serrer le carcan au cou
Du peuple sans giberne.
Cet écrou, nous le dévissons…
Entrez dans la caserne,
Chansons !
Entrez dans la caserne !


(Paris, 1848)

The seed you sow

 The seed you sow

texto: excerto de Men of England – a song, de Percy B. Shelley
música de Pedro Rodrigues e coro da Achada
[mi maior]

The seed ye sow, another reaps;
The wealth ye find, another keeps;
The robes ye weave, another wears;
The arms ye forge, another bears.

Sow seed—but let no tyrant reap:
Find wealth—let no imposter heap:
Weave robes—let not the idle wear:
Forge arms—in your defence to bear.

[dito]
Have ye leisure, comfort, calm,
Shelter, food, love’s gentle balm?
Or what is it ye buy so dear
With your pain and with your fear?

[dito]
Tendes lazer, conforto, calma,
Abrigo, comida, o delicado bálsamo do amor?
Ou que é isso que pagais tão caro
Com a vossa dor e o vosso medo?

quarta-feira, 11 de outubro de 2023

Cantiga bailada

Cantiga bailada
(versão «As casas da Mouraria», letra de José Castro para a música de Brigada Victor Jara) 

Adeus ó rua da fonte
(Eras tão bonita e eu já te não quero)
Calçadinha mal segura (x2)
Quando passa o meu amor
(Eras tão bonita...)
Não há pedra que não bula (x2)

Óló alarilolela Óló alariloló


Desde a ribeira ao Castelo

Subia só p'ra te olhar

Mas hoje já não te encontro

Para onde foste morar

Óló alarilolela Óló alariloló


As casas da Mouraria

Hão de ter gente outra vez

Vivendo as suas vidas

Sem mágoas ao fim do mês

Óló alarilolela Óló alariloló
Óló alarilolela Óló alariloló

quinta-feira, 22 de junho de 2023

Cantiga de uma greve de Verão

 
Cantiga de uma greve de Verão
letra e música de Vitorino (1975)

Seara madura de Junho
Campos eternos sem fim
Abro o peito fecho o punho
Quando te inclinas para mim
 
Minha vila não está quieta
No tamanho do horizonte
Desconfia e fica alerta
Do sorriso de boi manso
Do morgado arrogante
 
Quando o trigo amadurece
Chega-me a força cá dentro
Como a da espiga pró grão
Troco foice por espingarda
Porque má paga é que não
 
Alentejanos prá frente
O sol está do nosso lado
Caçadeira atrás da porta
Queremos um Verão quente
Para a herdade do morgado.

terça-feira, 9 de maio de 2023

Canto dos Torna-Viagem

Canto dos Torna-Viagem
José Mário Branco (Resistir é vencer, 2004)

Foi no sulco da viagem
Já sem armas nem bagagem
Nem os brazões da equipagem
Foi ao voltar

Pátria moratóriaNo coração da históriaQue consumiste a glóriaNum jantar
Foi como se PortugalP'ra seu bem e p'ra seu malAndasse em busca dum finalP'ra começar
Ávida violênciaReverso da inocênciaSal da inconsciênciaQue há no mar
Império tão pequeninoDe portulano caprinoBolsos de sina e de sinoEm cada mão
Pátria imagináriaDe concistência váriaAfirmação diáriaDo teu não
As malas dos portuguesesSão como os olhos das rezesQue se mastigam três vezesEm cada chão
Cândida ignorânciaGrande desimportânciaOs frutos da errânciaJá lá vão
Ai Senhora dos Navegantes me valeiDe África, do sal e do mar só eu sobreiFoi p'ra me encontrar que amanhã já me perdiLonge vai o tempo em que eu já não estou aqui
Ai Senhora dos Talvez-Muitos-Mais-SinaisSocorrei estes desperdícios coloniaisFoi na noite fria que o dia me cegouInda agora fui, inda agora cá não estou
Ai Senhora dos Esquecidos me lembraiO caminho que p'ra lá vem e p'ra cá vaiEtecetera e tal, Portugal é nós no marInda agora vim e estou longe de chegar
Ai Senhora dos meus Iguais que eu subtraíFoi pataca a mim e não foi pataca a tiSe é tão grande a alma na palma do meu serAlgum dia eu vou finalmente acontecer
Por que não tentar outro ponto de vista?A história dos outros, quem a contará?Se qualquer colónia sem colonialistaSão os que já estavam lá
Tentemos então ver a coisa ao contrárioDo ponto de vista de quem não chegouPois se eu fosse um preto chamado Zé MárioEu não era quem eu sou
Os navegadores chegaram cá a casaE foi tudo novo p'ra eles e p'ra mimA cruz e a espada e os olhos em brasaPor que me trataste assim?
Não é culpa nossa se quem p'ra cá veioNão se incomodou ao saber do horrorA história não olha a quem fica no meioE o que foi é de quem fôr

Ovo (excerto)

Ovo
(excerto)
(Manel Cruz)

Um é bom pra fumar
Dois é bom para lamber
Três pra dizer
Quatro é bom pra falar
Cinco para ouvir
Seis para ir lá para trás
Sete eles sentem-se mais
Oito eles sabem que o são
Nove não cabem na cela
Dez rebentam com ela

(...)

Sento il fischio

 Sento il fischio


Sento il fischio del vapore è il mio amore che va via,
e l’è partito per l’Albania, chi sa quando ritornerà.
Ritornerà sta primavera con la spada insanguinata,
e se mi trova già maritata o che pena o che dolor.
O che pena o che dolor che brutta bestia è ormai l’amore,
starò piuttosto senza mangiare ma l’amore la voglio fare.
Mi hanno chiusa in un convento e m’han tagliato i miei capelli,
ed erano biondi e ricci e belli e m’han tagliato le mie beltà.
Sento il fischio del vapore è il mio amore che va via…
Sento il fischio del vapore è il mio amore che va via...

Possível o impossível

Possível o impossível
(Cânone com excertos poemas de Mário Dionísio)

possível o recomeço
possível o sobressalto
possível o sonho solto
possível um mundo novo

possível o impossível

longe é o mais perto
longe é o mais perto longe

Cão Raivoso

Cão Raivoso
Sérgio Godinho (1974)

Mais vale ser um cão raivoso
Do que um carneiro
(Do que um carneiro)

A dizer que sim ao pastorO dia inteiro(O dia inteiro)
E a dar-lhe de lã e da carne e da vidaE do traseiro
Mais vale ser diferente do carneiroUm cão raivoso que sabe onde ferraUm cão raivoso que sabe onde ferraOlhos atentos e patas na terra
Viva, viva o cão raivosoTem o pelo eriçadoSeu dente é gulosoE o seu faro ajustadoCão raivoso, cão raivoso, cuidado
Mais vale ser um cão raivosoQue um caranguejo(Que um caranguejo)
Que avança e recua e depoisSolta um bocejo(Solta um bocejo)
E que quando fala só se houve a gargantaNo gargarejoMais vale não ser como o caranguejoUm cão raivoso que sabe onde ferraUm cão raivoso que sabe onde ferraOlhos atentos e patas na terra
Viva, viva o cão raivosoTem o pelo eriçadoSeu dente é gulosoE o seu faro ajustadoCão raivoso, cão raivoso, cuidado
Mais vale ser um cão raivosoQue uma sardinha(Que uma sardinha)
Metida, entalada na lataEducadinha(Educadinha)
Pronta a ser comida, engolida, digeridaE cagadinhaMais vale ser diferente da sardinhaUm cão raivoso que sabe onde ferraFerra fascistas e chama-lhe um figoOlhos atentos e patas na terra
Viva, viva o cão raivosoTem o pelo eriçadoSeu dente é gulosoE o seu faro ajustadoCão raivoso, cão raivoso, cuidado
Mais vale ser um cão raivosoDentes à mostra(Dentes à mostra)
Estar sempre pronto a morderE a dar resposta(E a dar resposta)
A toda e qualquer podridão escondidaDentro da crostaDentro da crosta das belas ideiasGato escondido de rabo de foraDentro da crosta das belas ideiasGato escondido de rabo de fora
De foraDe foraDe foraDe fora
Viva, viva o cão raivosoTem o pelo eriçadoSeu dente é gulosoE o seu faro ajustadoCão raivoso, cão raivoso, cuidado

Siam del popolo gli arditi

 
Siam del popolo gli arditi
Leoncarlo Settimelli (1967-1979)
 
Siam del popolo gli arditi
contadini ed operai
non c'è sbirro non c'è fascio
che ci possa piegar mai.
 
E con le camicie nere
un sol fascio noi faremo
sulla piazza del paese
un bel fuoco accenderemo.
 
1. Ci dissero ma
cosa potremo fare
con gente dalla
mente tanto confusa.
 
E che non avrà
letto probabilmente
neppure il terzo
libro del Capitale.
 
Neppure il terzo
libro del Capitale.
 
2. Portammo il
silenzio nelle galere
perché chi stava
fuori si preparasse.
 
E in mezzo alla
tempesta ricostruisse
un fronte proletario
contro il fascismo.
 
Un fronte proletario
contro il fascismo.
 
3. Ci siamo ritrovati
sulle montagne
e questa volta
nostra fu la vittoria.
 
Ecco quello che
mostra la nostra storia
se noi siamo divisi
vince il padrone.
 
Se noi siamo divisi
vince il padrone.